Benefícios do maracujá como alimento funcional


Já é senso comum que a folha do maracujá é excelente calmante, e existem inclusive produtos à base de maracujá para controle da ansiedade comercializados no mercado. O que a maioria não sabe é que muitas espécies silvestres do gênero passiflora têm um potencial ainda não explorado para prevenir doenças como tremores, diabetes e problemas cardiovasculares, além de contribuir na regeneração celular e no controle de obesidade. Para que esses benefícios cheguem à mesa do consumidor, a Embrapa Cerrados – unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), localizada em Planaltina (DF) – realiza uma pesquisa que estuda e desenvolve tecnologias para aproveitar o fruto do gênero passiflora como um alimento funcional, ou seja, que gera benefícios para saúde humana.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Cerrados Ana Maria Costa, que coordena o estudo, além de avaliar os componentes químicos e nutricionais que podem causar o efeito funcional, o trabalho busca saber se eles funcionam no dia-a-dia e não apenas no laboratório. São avaliadas quatro espécies diferentes (veja relação abaixo) de maracujás nativos do Cerrado, ainda não explorados comercialmente. A validação da pesquisa em humanos já está em andamento e conta com equipes médicas de diferentes instituições brasileiras, como universidades e o Instituto do Coração.

Simultaneamente à pesquisa sobre a funcionalidade dos frutos, os pesquisadores também buscam desenvolver os elos que ligam produtores com interesse em produzir o fruto ao consumidor final. O estudo avalia desde informações biológicas das plantas (como a polinização da planta e a quebra da dormência das sementes) até o processamento final do alimento pela indústria. Tantas facetas diferentes exigiram a criação da rede Passitec, que reúne 12 instituições de pesquisa, 40 laboratórios e cerca de 100 profissionais em todo o país.

“Para ser funcional, o alimento deve ser elaborado de forma correta e consumido na quantidade certa para surtir o efeito biológico desejado”, explica Ana Maria. Por isso, a equipe da Embrapa Cerrados elabora também produtos a serem industrializados já com a quantidade necessária dos maracujás estudados. São sucos, bolos e até mesmo uma linha de lácteos. Todos eles passam por uma análise sensorial, para garantir que o saudável seja também gostoso.

Com algumas receitas de alimentos produzidos a partir de três das quatro espécies de passifloras estudadas em mãos, os pesquisadores da unidade da Embrapa estão estabelecendo parcerias com indústrias interessadas em produzir comercialmente os produtos. Nesta etapa, o objetivo é adaptar as tecnologias e as técnicas desenvolvidas para que elas sejam utilizadas em escala industrial.

Espécies estudadas

No estudo, a Embrapa Cerrados avalia quatro espécies de passifloras. A equipe iniciou a pesquisa a partir de indícios fornecidos pela sabedoria popular ou por uma avaliação química de que os frutos contribuem na prevenção de problemas de saúde:

Passiflora A – controle de estresse, enxaqueca
Passiflora B – minimiza os tremores dos idosos
Passiflora C – recuperação pós-trauma e regeneração celular
Passiflora D – controle de obesidade e cardiovascular

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